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MOMENTO LÍTERO CULTURAL

POR SELMO VASCONCELLOS

19 de Novembro de 2018 às 18:01

MOMENTO LÍTERO CULTURAL

FOTO: (DIVULGACÃO)

EM MEMÓRIA


01-ENO THEODORO WANKE – Rio de Janeiro, RJ.
OBSERVAÇÃO


É preciso
Um cuidado espantoso,
uma vida inteira de atenção,
um amor infinito cultivado em si
para poder-se,
devagarzinho, ouvir a
(podemos chamar de música?)
a música
do abrir das rosas.

02-NILTO MACIEL – Fortaleza, CE.
NAVEGADOR


Meus olhos cegos, que não veem naves,
navegam pelos mares das tormentas
-perdidos barcos, rotos, sem timão.

Meus olhos mudos só vislumbram vagas,
doida babel de tempestades feita,
monstros marinhos, oceano largo.

Meus olhos surdos só conseguem ver
cantos de dor, de morte e solidão,
a minha própria imensidão de ser.

03-ARTUR DA TÁVOLA – Rio de Janeiro, RJ.
LABIRINTO


Penso aquém do que alcanço
Alcanço além do que sei
Sei menos do que posso
Posso aquém do que adivinho
Adivinho além do que conheço
Conheço menos do que intuo
Intuo tanto quanto imagino
Imagino mais do que verbalizo
Verbalizo aquém do que percebo
Percebo menos do que se revela


04-ZANOTO – Varginha, MG.
Lá fora
Entre mágoas comuns,
Talvez mais pungentes;
Sob o plenilúnio,
Dos arvoredos, do bosque,
Das rochas,
Dos insetos iluminados,
Levitam meus sonhos,
Enquanto a lua participa
Da festa colorida das estrelas.

05-AMÉLIA SPARANO – Rio de Janeiro, RJ.
AREIA


Nos olhos a praia inteira.
Na não punhado de areia.
Na mão punhados de sonhos.
Mão cheia,
mão vazia.
Vida, sonhos e sonhos...
Punhado que se esvazia.

06-JOANYR DE OLIVEIRA – Brasília, DF.
EPITÁFIO


Os casulos do silêncio
recolhem meu rosto,
meu canto e meu nome.

Entre arcanjos e estrelas,
minha essência navega
o esplendor dos milênios.

Doce é o sabor do infinito.

07-ANÍBAL BEÇA - Manaus, AM.
BOLERO DAS ÁGUAS


O passo no compasso dois por quatro
acode meu suplício de afogado
afastando de mim sedento cálice
em submerso bolero de águas tantas.
A sede dança seca na garganta
curtindo signos, fala ressequida
para a língua de couro, lixa tântala,
alisando palavras rebuçadas.
Quanto alfenim no alfanje que se enfeita
para montar as ancas de égua moura.
Lábia flamenca lambe leve as oiças,
é rito muezin ditando a dança :
no dois pra cá me levo em dois pra lá,
nas águas do regaço vou-me e lavo-me.

08-FLÁVIO RUBENS – Rio de Janeiro, RJ.
A JANELA


Da janela do meu quarto
vejo o mundo em minhas mãos
é como se houvesse um Deus
caminhando entre os irmãos.

Quando a fecho sinto a vida
no calor dos que são meus.

Viva Deus e viva a vida
que fazem do meu olhar
janela da própria vida.

09-HENRIQUES DO CERRO AZUL – Brasília, DF.
É ASSIM QUE EU AMO ...


Se amar e ter o pensamento e a vida
Voltados para um ser unicamente;
Se é em convulsões a alma acendida
Num doce anseio e num desejo ardente;

Se é dar sem receber; se é ter em mente
Por toda a longa estrada percorrida,
Alguém, talvez, que nem sequer pressente
Nossa amarga afeição desconhecida...

Se é chorar, se é sofrer sem ter tormento;
Se é sorrir, se é gozar sem ter motivo;
Beijar as flores, abraçar o vento,

E as aves escutar de ramo em ramo:-
Amada, eu te direi que é assim que vivo...
Mas, se não for amor, é assim que eu amo !

10-JACK RUBENS – Porto Alegre, RS.
ALGOZ


prendeste as
algemas
nos meus pulsos
rasgaste meus versos
calaste minha voz...
ergueste o muro
firmaste as grades
apagaste a luz...
vê se podes agora
com o poder
da tua força
e a histeria
do teu medo
aprisionar o meu sonho
que cavalga livre
num raio de luar.

11-JORGE TUFIC – Manaus, AM..
BIOPOEMA


Minha célula nervosa
é uma árvore espantada.
Cada um mínimo de mim
resulta numa teoria,
num gráfico, num diagrama.
Meu corpo obedece
a um sistema infalível
de códigos e reproduções.
E eu vivo a fugir
de tudo que não seja
caos e madrugada.

12-ARICY CURVELLO - Serra, ES.
INSCIÊNCIA


não faças perguntas ao poema.
palavras são sua matéria apenas.
todas as palavras,
talvez acasos, talvez atrozes.
este, aquele momento
na perseguição ao vento.
e em conjunção uma estranha luz se ajunta
ao que é sem retorno e sem recuperação,
qual um dia sem lembrança é tão distante.
será, tudo será outro para sempre,
perante a extrema solidão do poema.

13-ALUYSIO MENDONÇA SAMPAIO – São Paulo, SP .
ESPERANÇA


De tanto pisar os caminhos do mundo
Os meus pés estão sangrando
E o meu coração ferido
Como o chão gretado.
Olhos fitos na distância
Avanço
Rumo à fímbria do horizonte
De meus lábios brota um canto
Como uma flor
Nascida no agreste de meu peito
Meu coração puro e livre
Como o canto que brota dos meus lábios
Ou o orvalho antes de tocar a terra.

14-MARIAZINHA CONGÍLIO - Jundiaí, SP..
SUA MAJESTADE O TEMPO


Passamos pelo tempo
docemente
enquanto ele fica a esperar
gente que nasce
vive e parte
sem perceber
que é mortal.

Sem notar que tudo passa
e não dura
que a vida foge
e não pára.

15-JOSÉ MENDONÇA TELES - Goiânia, GO.
INSTANTE DEZ


Passei o dia todo
Com tantas coisas na
Cabeça.

Passei a semana toda
Com tantas coisas na
Cabeça.

Aliviei-me dos problemas
Quando você chegou
E virou minha cabeça.
 

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Selmo Vasconcellos

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