close
logorovivo2

MOMENTO LÍTERO CULTURAL

POR SELMO VASCONCELLOS

28 de Setembro de 2018 às 09:42

MOMENTO LÍTERO CULTURAL

FOTO: (DIVULGACÃO)

 

01-Coluna dedicada à Inês Cancelier Moretto, poetisa de Ouro Preto do Oeste, RO.

(Galeria dos Amigos do Momento Lítero Cultural)

 

02-CECÍLIA MEIRELLES

Retrato

 

Eu não tinha este rosto de hoje,

assim calmo, assim triste assim magro,

nem estes olhos tão vazios,

nem o lábio amargo.

 

Eu não tinha estas mãos sem força,

tão paradas e frias e mortas;

eu não tinha este coração

que nem se mostra.

 

Eu não dei por esta mudança,

tão simples, tão certa, tão fácil:

- em que espelho ficou perdida

a minha face?

 

03-PAULINHO TAPAJÓS – Rio de Janeiro, RJ – Em Memória

BAILADO

 

Como surgisse um colibri e assim

Bailasse as asas doces sobre mim

Como se eu fosse flor de algum jardim

Como se eu não tivesse fim

Como se eu fosse um pôr de sol de mel

Como se em meu lençol coubesse o céu

E um sabor de loucura melado e água pura

Mistério ou mistura de nós dois

Como se fosse a embriaguez total

Guardasse todo o bem e nenhum mal

Como se fosse o irreal

Sem princípio ou final

Como surgisse um colibri e assim

Bailasse as asas doces sobre mim

Como se eu fosse rosa ou alecrim

Beijasse um anjo querubim

Como se ouvisse o som de um madrigal

Cheirasse a chuva pelo matagal

Coração de arvoredo verdade ou brinquedo

Desejo ou segredo de nós dois

Como surgisse um colibri e assim

Bailasse as asas doces sobre mim

Como se fosse o irreal

Sem princípio ou final

 

04-JANETE CORTEZ – Santo André, SP

TERNURA ETERNA

 

Tomo em meus braços

estrelas de ontem

luzes de meu campo

adormecido

entre girassóis e rosas.

E as afago.

E as contemplo.

Na constelação

 

dos meus olhos

úmidos de orvalho

frios pela espera

teço ternura eterna.

 

05-MÔNICA DE CATELLA – Belo Horizonte, MG

AUTO-RETRATO

Na vida, vivo vendo possibilidades.
Teço armadilhas, com fios de surpresa,
para apanhar
o cotidiano.

Deixo vestígios
do itinerário
num papel em branco.

Tenho medo de dormir.
Nunca de acordar.

 

06-LUIZ ALBERTO MACHADO – Maceió, AL.

POR UM NOVO DIA

 

Por um novo dia sempre!

Este é o meu canto a cada dia

Por um sonho de viver possível.

É preciso cantar

Por um homem justo e novo

Por um gesto necessário em favor da vida.

 

07-ANA PELUSO – São Paulo, SP

FOLHA EM BRANCO


Uma folha em branco
Talvez explique tudo.
Talvez explique mais
Do que tenho
Tentado dizer.
Uma folha em branco
É livre
E não é livro.
E nos livra
De tudo
Que nunca
Quisemos ler,
Nem saber,
Ou perceber.
Antes fosse branca
Tua folha
Do que tantas letras
Dançando
E pedindo para serem lidas.
Já que não foram, a não ser por ti mesmo.
Como as minhas,
(a herança)
Também não serão.
E seremos dois sonhadores
Solitários,
Pois que já não estamos
Juntos...
Preferia teus olhos
Verdes nos meus,
Ao amarelo
Dos teus livros
Que jazem
Dentro do armário.

 

08-SANDRA ALMEIDA – Cacoal, RO

 Poema do Acaso


versos distraídos,
perdidos em becos.
esperam o momento
de despertarem nas mãos
de um poeta louco.
que os encontre pra
para gritar a todos,
que a poesia nasce,
num encontro casual

 

09-ANTONIO CABRAL FILHO – Rio de Janeiro, RJ.

FAIXA DE GAZA

Nos recreios da escola
Pintava sempre uma briga
Pra divertir a galera.
Aí eu riscava no chão
Uma linha e gritava
“qué briga pisa aqui”
E abria – se logo um círculo
De plateia para os brigões
Mas às vezes era richinha
Coisa pouca para uma briga
Então eu riscava a linha no chão
E gritava “Qué apanhá pisa aqui”
E sem saber nada de guerras
Nem de oriente médio,
Eu tinha inventado
A “faixa de gaza”.

 

10-ESCOBAR FRANELAS – São Paulo, SP

algum'arte para contender o contemporâneo

enólogo cego
abruptamente
rompe abismos



inaugura casa
de degustação
de marchands

 

11-JOSÉ REGI – Maria da Fé, MG.

Alquimia

 

Junte toda inquietude

O verso disperso unte

Na forma do verbo

Pré-substancial.

 

Eis a matéria

De toda alforria,

Liberdade inconteste

Sob o véu da poesia.

 

Onde todo ser

Incide um por vir,

Acalenta o gênesis

Que se aventa em existir.

 

12-SELMO VASCONCELLOS – Porto Velho, RO.

O morango ainda está em cima do bolo.

O bolo ainda está na mesa.

Como encontrar o amor deixado naquela noite?

Ficar congelado é que não pode.

O frio é intenso e o edredom não aquece.

Um corpo só não faz verão.

MAIS COLUNAS

Selmo Vasconcellos

PRIMEIRA PÁGINA
RONDONIAOVIVO TV
DESTAQUES EMPRESARIAIS
PUBLICAÇÕES LEGAIS