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Entrevista histórica - Por Selmo Vasconcellos

POR SELMO VASCONCELLOS

14 de Setembro de 2018 às 16:30

Entrevista histórica - Por Selmo Vasconcellos

FOTO: (DIVULGACÃO)

 

USSUMANE GRIFOM CAMARÁ –  NOVA GUINÉ.

 

Ussumane Grifom Camará (Matchom), Poeta, e escritor Guineense. Autor de variadíssimas obras e muitas ainda inéditas. Nasceu numa família de sete irmãos aos 22 dias dum chuvoso Agosto de 1987, na cidade Bissau. Filho de Iaia Camará e Florença da Silva. Tendo começado a poetar muito cedo, aos 15 anos quando ainda frequentava os estudos liceais. É estudante da Sociologia na Universidade Lusófona da Guiné-Bissau. Membro fundador da SAG – Sociedade de Autores Guineense e Vice-Presidente da Assembleia geral da mesma. Foi Secretário-geral da Seiva da Nova geração (Clube dos poetas e Escritores da nova geração) e Coordenador do Universo Cultural Guineense na qual trabalha como promotor e divulgador cultural. É membro de várias organizações juvenis como: KABAS – Organização dos Músicos Guineense, AJOPCUPAZ – Associação dos Jovens para a Promoção da Cultura de Paz, AJOPAR – Associação dos Jovens Pan- Africanista da Guiné-Bissau, AJSP – Associação dos Jovens para Solidariedade e Progresso, tendo passado pela FNJP – Fórum Nacional da Juventude e População. Movido pela paixão dramatúrgica, participou no filme da autoria do cineasta Luís Fango, A Madrasta Malvada.

 

SELMO VASCONCELLOS – Quais as suas outras atividades, além de escrever?

USSUMANE GRIFOM CAMARÁ – Actualmente sou funcionário duma firma privada A.F Trading Co. Lda., trabalho como assistente administrativo, estudante de segundo ano da Sociologia na Universidade lusófona da Guiné, membro e vice-presidente da Assembleia Geral da SAG – Sociedade de Autores Guineense e Editor do projecto Universo Cultural Guineense na qual trabalho como divulgador literário.

 

SELMO VASCONCELLOS – Como surgiu seu interesse literário?

USSUMANE GRIFOM CAMARÁ – Não sei dizer bem como surgiu meu interesse pela escrita. Lembro-me que desde pequeno, ainda na escola primária, eu era muito bom em redacção e um dia meu professor comentou para o meu pai: “Ele é bom em redacção e poderá ser um bom escritor”, sinceramente, isto de certa forma me marcou. Também se entende que uma criança que cresceu num mundo de livro como eu cresci pode ter paixão pela escrita. Meu pai coleccionava centenas de livros com os quais passava a maior parte dos meus tempos livres. Lia livros de diversos assuntos e para ser sincero, gostava é mais das poesias e romances.

Quando tudo ia acontecer, no início de 2004 minha professora da língua portuguesa, também portuguesa de nacionalidade, Fátima Queirós, me chamou nos arredores da escola, na altura fazia eu 8º ano no Regional II – Liceu Samora Moisés Machel – Bissau, e me pediu para participar num concurso a ser realizado no dia 14 de Fevereiro – por ocasião do dia dos namorados e, uma das condições era que os textos deviam ser originais e que deviam ser dedicados a uma pessoa – neste caso sua cara-metade (rsrs). Apesar de um pouco hesitado mas decidi tomar parte no referido concurso. Foi engraçado. Foi numa segunda-feira, quando a professora entrou na sala dirigi-me a ela com os meus folhadinhos na mão: “professora aqui estão os meus textos” – disse para ela numa voz que quase tremula. Lendo os textos em silêncio ela exclamou – “Wauuu, Ussumane está apaixonado!” – todos viraram para mim com olhares de curiosidades, havia os que me tocavam por baixo pedindo para revelar o nome constante na dedicatória – Olhe, este nome nunca revelei ao ninguém, é meu segredo com a professora Fátima (rsrs). Portanto foi assim que comecei a escrever meus primeiros textos. Digo varias vezes que essa professora me fez um poeta. Se ela não fosse enviada para cá talvez eu não descobriria a poesia na minha alma.

 

SELMO VASCONCELLOS – Quantos e quais os seus livros publicados?

USSUMANE GRIFOM CAMARÁ – Do momento não tenho nenhum livro publicado mas conto com dois projectos livros de poesia na qual um em fase acabamento e que daqui há nada vai para editora, dois projectos romances, um conto e uma compilação dos artigos de opiniões. Também estou nesse momento coordenando dois projectos colectânea e que em breve vai sair. Portanto, este é o meu ano de publicar (rsrs).

 

SELMO VASCONCELLOS – Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesias?

USSUMANE GRIFOM CAMARÁ – Para mim a poesia não tem momentos próprios ou seja atmosferas próprios que a produz. Elas surgem de acordo com as circunstâncias e as emoções que delas optemos e isto é muito relativo, por isso, para não deixar escapar nada, ando sempre com um bloco de notas no bolso. E, a noite é mais propícia para organizar as anotações que o dia me trouxe não obstante que sempre surgem novas ideias nesse momento. Mas para ser específico cito uma poetisa “Quando estou alegre canto, quando estou triste faço poesia!”

 

SELMO VASCONCELLOS – Quais os escritores que você admira?

USSUMANE GRIFOM CAMARÁ – Tem vários nomes na minha estante de livros como: Vasco Cabral, Conduto de Pina, Ernesto Dabó, Huco Monteiro, Felix Siga, Tony Tcheca, Nelson Carlos Medina, Abdulai Silá, Filinto Barros, Manuel da Costa, Edson Ferreira, Maiuca d’Bubaque, Secuna Sadibo Mané, os irmãos Djuli Sal e Amadu Tidjane Sal, Pinto Chico, Djoca, César Inácio Vieira, Liliana Cláudia Fernandes Sá, Odete Semedo, Edson Incopté, Emílio Lima, André Mendes, Tony Costa, Adão Quadé, Gabriel Ié, Graciete Semedo, Fatu Indjai, Rui Jorge Semedo, Hilario Jr., Jorge Otinta… Entre vários outros nomes e da literatura Brasileira os nomes como: Mario Quintana, Adelia Prado, Cruz e Sousa, Tanussi Cardoso, Zibia Gaspareto, Augusto Cury e você Selmo entre vários outros.

 

 

SELMO VASCONCELLOS – Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?

USSUMANE GRIFOM CAMARÁ – Muita leitura, muita leitura. Permita-me dirigir essencialmente aos novos escritores da Guiné-Bissau. Todos nós sabemos da actual conjuntura, não é nada fácil escrever onde o conhecimento é posto em 5º ou 10º plano mas mesmo assim vamos persistindo, escrevendo e sempre. A única maneira de preservar a história e a memória de qualquer povo ou nação é escrevê-la, seja ela em poesia, romance, contos etc. A nossa geração – djorson di polon di Brá (Geração de Poilão de Brá) como nos apelida o sociólogo Miguel de Barros, sabe vencer as dificuldades. Já deu provas de que consegue erguer das cinzas e construir o seu espaço próprio por isso aconselho muita dedicação e disciplina só ela, a disciplina, é a força de qualquer sucesso.

 

GUINEENDADE

 

Sou apenas um pedaço

Desta terra

Esculpida em negro,

Apenas a Geba que desagua

Calma,

No atlântico

Sou o gritar sereno do kasibet

Porfiando com rancor

O amarelo da bemba

Sou perfume florestal

Colorido verde de Cantanhez.

Apenas o canto de macaréu

Sobre a crista do saltinho,

Sou o branco prateado de Cussilintra,

Têmpera de leste

Sufocando bolanhas de Fárato

Soltando brumas do deserto,

Sou polo quente

Norte mampataz

Farim dos Mansas e korins,

Sou sul kebur

Mafé de lingron…

País meu

Combate nosso

Gente em peregrinação no tempo

Para embelezar a dança.

***** 

 

TESTEMUNHO

 

Do pássaro sou o canto

Ora lindo, ora cheio de pranto

Neste mistério sem fim

Sinto minha alma no Alto Crim

 

Sou poeta

E não deambulante comerciante

Faço da poesia o navio

Para acostar ao de lá do silêncio

 

Da palavra vou eu passar

Sem tempo de me escutar

Mesmo que por vagos e pobres momentos

 

Em cada verso deito testemunho do meu viver

Cheio de tormentos

Iguais a forças do hurdumunho.

 *****  

 

NO SEGREDO DO TEU OLHAR

 

À Marina Pereira

 

No segredo do teu olhar

Enxergo a vida,

Como o ébano

Vejo o amor

 

Nas tuas pupilas sinto

Crescer menino,

Menino do teu sonho

Menino do teu leito.

 

No fundo de ti

Me naufrago

E perco a ansiedade,

Como se no mar

O navegador perdesse o norte

À procura de leme

A caminho do paraíso.

Tu,

Meu amor!

 

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