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Entrevista histórica - Por Selmo Vasconcellos

POR SELMO VASCONCELLOS

31 de Agosto de 2018 às 08:43

Entrevista histórica - Por Selmo Vasconcellos

FOTO: (DIVULGACÃO)

EDUARDO TORNAGHI – Rio de Janeiro, RJ.

3 de MAIO de 2011.


Cheguei aqui em 1951, no RJ. Família grande, me ensinou a brincar com as artes. É o que tenho feito desde então. Nesse ínterim, me formei em Psicologia (que não pratico), fiz militância política, social e pedagógica, trabalhei com vendas, computadores (antes de haver comp. pessoal), teatro, televisão, fui empresário (fali todas as vezes que tentei) e, principalmente, dei aulas. Pra população de rua, em presídios, em acampamento de sem-terra, prostíbulo e nos endereços elegantes da elite e da classe média. Há quinze anos me juntei à Selma e, com ela, minha melhor obra: Kalu e Bibi, que você já deve ter visto no blog http://papopoetico.blogspot.com/

SELMO VASCONCELLOS – Quais as suas outras atividades, além de escrever ?


EDUARDO TORNAGHI - Agitação cultural em geral. Dou aula de interpretação, dirijo e coordeno grupos de cultura na periferia, milito no Mov. Humanos Direitos (Mhud), e principalmente, crio duas lindas filhas

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?


EDUARDO TORNAGHI - De família. Cresci vendo todo mundo à minha volta lendo, literatura era conversa comum, brincávamos de "tirar versos", foi um espanto quando descobri que não era assim em todas as famílias.


SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?


EDUARDO TORNAGHI - Só o "Matéria de Rascunho". Só fui me atrever a escrever de verdade há pouco tempo, uns 5 anos. Antes era só leitor. Cheguei a colaborar em revistas e jornais com artigos, mas sempre de uma forma fortuita.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir seus trabalhos poéticos ?


EDUARDO TORNAGHI - Isso não sei responder. Da solidão à euforia, tudo serve. Honestamente, o que me faz trabalhar mesmo é algum tipo de encomenda, senão não passa pro papel. O livro só saiu quando eu me encomendei e marquei uma data limite.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?


EDUARDO TORNAGHI - Todos. Admiro a coragem de escrever. Gosto até de literatura ruim, sempre expressa uma alma. Pra não deixar de citar uns favoritos (todos eu não consigo), Guimarães Rosa, Mario de Andrade, Bandeira, Jorge de Lima, Graciliano Ramos, Cervantes, Pessoa, Cortázar, Murilo Mendes, Cecilia, Hilda Hilst, Nelson Rodrigues, Borges, todos os russos, Lima Barreto, Joyce, Montaigne etc.


SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?


EDUARDO TORNAGHI - Vai fundo! Se expressar demanda coragem, mais que se imagina, portanto escreva até chegar ao ponto em que seja natural tocar o mistério. A verdadeira expressão, a que vale realmente à pena, sempre nos provoca um certo medo e vergonha, já que revela. Antes disso ainda estamos arranhando a superfície. Enfrentar esse medo é que nos liberta.


MMC

MuriLeminskiano

Cada poema uma face
dentre as quase mais de mil
cada rosto um pé de alface
tomate alcaparra abio
Cada cara uma faceta
das tantas que a gente tem
óculo lente luneta
não decifram quem é quem
Já o poema que nasce
no que se viu ou ouviu
como um espelho se faz
alfarrábios ponto til
***


Hélas

Maria Fernanda
Ô vida engraçada
sem dor vale nada
***


Viva Odete Lara

Quem cansa não é a ladeira,
é a pressa.
Do lado de fora a primeira,
a outra, de dentro,
é que estressa.

Questão de saber:
a quem o cansaço interessa
***


Pobres carentes


Alguns de comida
outros de caráter
muitos de carinho
todos de respeito
nós
cada um do seu jeito
todos iguais

 

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