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FORAGIDOS: Justiça decreta a prisão de seguranças que torturaram adolescente em supermercado

Valdir Bispo dos Santos e Davi de Oliveira Fernandes, conhecido como Neto, são funcionários de uma empresa privada de segurança que prestava serviços para o estabelecimento

EXTRA

5 de Setembro de 2019 às 14:30

FORAGIDOS: Justiça decreta a prisão de seguranças que torturaram adolescente em supermercado

FOTO: (Divulgação)

juíza Tatiana Saes Valverde Ormeleze, do Departamento de Inquéritos Policiais do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), decretou nesta quarta-feira a prisão temporária dos dois seguranças filmados torturando um adolescente de 17 anos acusado de furtar um chocolate de um supermercado Ricoy, na Vila Joaniza, na Zona Sul da capital paulista. Até o início da noite, os dois eram considerados foragidos.

 

Valdir Bispo dos Santos e Davi de Oliveira Fernandes, conhecido como Neto, são funcionários de uma empresa privada de segurança que prestava serviços para o estabelecimento, e foram identificados como agressores do jovem com um chicote, nas dependências do supermercado. O pedido de prisão temporária é de 30 dias.

 

Ao solicitar a prisão dos envolvidos, o delegado Pedro Luis de Souza, titular do 80º Distrito Policial de São Paulo, registrou a necessidade de promover o reconhecimento dos agressores pela vítima, além de obter informações sobre onde está o chicote usado no crime e como foi feita a divulgação das imagens da agressão.



Também foi solicitado e deferido pedido de busca e apreensão no supermercado, para buscar acesso a imagens de câmeras do sistema de segurança do estabelecimento, e na residência dos envolvidos. Intimado a opinar, o Ministério Público de São Paulo concordou com os pedidos.

 

 

Jovem de 17 anos mostra as marcas deixadas por tortura em supermercado de SP Foto: Reprodução





Valdir e Davi foram indiciados pelo crime de tortura, cuja pena pode variar de 2 a 8 anos de prisão. Valdir já foi citado em boletim de ocorrência policial por acusação de apropriação indébita e, Davi, pelo crime de lesão corporal contra a esposa.



— Os seguranças usaram violência desmedida contra o garoto. Este evento me remeteu à época da escravatura, quando negros eram açoitados em praça pública — disse nesta quarta o delegado responsável pela investigação do caso, que também é negro.



Souza disse ter recebido uma ligação da filha, comentando que estava sendo xingado na internet e chamado de "protetor de bandidos". O delegado, que é policial há 42 anos e diz ter nascido na periferia, contou não se importar.



— Você acha que um moleque desses é ladrão? Não tem cabimento o que fizeram. O ato é bárbaro, por si só, independentemente de ser branco ou negro.



Nesta terça-feira, a vítima passou por exame de corpo de delito e prestou depoimento. Segundo o delegado, tinha os dedos queimados decorrentes do uso de crack e ainda apresentava ferimentos pelo corpo, decorrentes da agressão sofrida no supermercado, há mais de um mês.



— Será importante localizarmos o chicote, para verificar se os ferimentos são condizentes com os ferimentos na vítima. Ele ainda tem marcas, visíveis, o que impressiona.

 

Durante a manhã, funcionários do estabelecimento prestaram depoimentos à Polícia Civil, mas, segundo policiais que assistiram aos relatos, não apresentaram informações úteis à investigação.



Representantes do movimento negro estão convocando para este sábado manifestações em frente ao supermercado onde o jovem foi agredido.

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