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ESCONDERIJOS: Fazendas e madeireiras ainda servem de refúgio a bandidos no sul do Amazonas

Fazendeiros e madeireiros agenciam pistoleiros do Vale do Jamari para praticarem assassinatos

CORREIO DE NOTÍCIA

17 de Julho de 2019 às 18:43

ESCONDERIJOS: Fazendas e madeireiras ainda servem de refúgio a bandidos no sul do Amazonas

Conflitos motivados por disputa de terras tem feito várias vítimas na região FOTO: (Divulgação)

A presença de criminosos em trânsito nas localidades desta parte do Estado advindos da Capital rondoniense mais que dobrou nos últimos cinco anos. Segundo a polícia, ao menos 70% dos bandidos presos ou foragidos viviam em fazendas e serrarias do sudesinos e sulistas.

 

Apesar da vigilância feita pelo sistema integrado de Patrulhamento Rural da Polícia Militar do Amazonas, vilas e vilarejos formados por ocupações comandadas por comunidades a partir da ponte sobre o rio Madeira, ‘podem esconder foragidos do sistema prisional de todos os estados brasileiros’, atestam agentes policiais locais.

 

Além desse percentual, são comuns as prisões de ladrões de madeira em áreas de proteção ambiental e mineral ao longo da BR-319 e em áreas de garimpo de extração ilegal de ouro do Rio Madeira. A maioria das prisões é de foragidos do semi-aberto ou que cometeram furtos, roubos ou crimes de estupro.

 

No ranking das averiguações realizadas por policiais amazonenses constam, ainda, elementos foragidos de outros Estados da Federação, entre os quais, o Acre, Mato Grosso (Colniza, Comodoro, Campos de Júlio, Tangará da Serra a Cuiabá) e das prisões sulistas (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Desses estados, o contingente seria disperso e meio difícil de identificar vez que a maioria estaria camuflada por trás de donos de fazendas e ou do agronegócio madeireiro rondoniense, aparentemente, legalizado.

 

Segundo outro agente de segurança do Estado amazonense, ‘daqui, poucos ou quase nenhum criminoso andaria em carros de luxo, ostentaria demasiadamente, em hotéis de alto padrão ou desfilaria com harém (mulheres) por dias a fio de festas agropecuárias ou nos bordeis’. A fonte atestou que, pode parecer ilação, mas, acima de 70% da bandidagem que infesta o sul do Amazonas, vem de estados vizinhos.

 

Um ex-detento que puxou cadeia com o pistoleiro de codinome ‘Macumba’ teria informado a um policial militar de uma das guarnições acantonadas em Humaitá, a 200 quilômetros de Porto Velho, que, ‘fazendeiros e madeireiros agenciam pistoleiros do Vale do Jamari para passar sal (matar) nativos amazonenses (Sul do Amazonas) que se recusam a vender madeira de suas propriedades’ – mesmo que estejam em terras devolutas da União’.

 

Em rápida pesquisa nos portais de segurança da vizinha Rondônia, o pistoleiro de aluguel alcunhado por ‘Macumba’ cumpriria penas por homicídios em ação de pistolagem contratada por fazendeiros e agiotas que atuariam nas cidades de Ariquemes, Machadinho do Oeste, Cujubim, Vale do Anari, Jaru e Ouro Preto do Oeste, com muitas de suas vítimas morando em lugares ermos do Sul do Amazonas.

 

A fonte policial que não terá a identidade revelada pela Reportagem disse que ‘Macumba, ao ver a foto da vítima já esboçava ódio e por essa ação seria contemplado com 20% do valor do crime de mando encomendado’. As vítimas que se recusavam a sair da terra morriam na hora. Por tal crime, recebia como prêmio R$ 5 mil. Dois mil reais eram pagos pelos que corriam para dentro da mata com medo de morrer na ação da pistolagem.

 

‘Macumba’ e ‘Roque Santeiro’ (esse preso em ação da Polícia Federal) teriam passado por fazendas e serrarias ao longo da BR-319 e da BR-364 no sul do Amazonas. Outros foragidos da Justiça em crimes de tráfico de drogas, roubo de carro, armamentos e munições, além de crimes ambientais cometidos no Vale do Guaporé e Ponta do Abunã, ‘vez ou outra são pegos pelas Polícias locais e de Porto Velho em cumprimento a mandados judiciais’, arrematam policiais amazonenses.

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