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BARBARIDADE: Pastor é preso suspeito de prender crianças e mulheres em quarto com cobras

Vítimas seriam mulheres e crianças, que eram enviadas para uma suposta clínica de tratamento para dependentes químicos. Cobras eram usadas durante maus-tratos

CORREIO BRASILIENSE

17 de Janeiro de 2019 às 11:12

BARBARIDADE: Pastor é preso suspeito de prender crianças e mulheres em quarto com cobras

Pastor usava algemas para trancar as vítimas em um cômodo escuro com duas cobras FOTO: (Correio Brasiliense)

O pastor Edson Alberto Queiroz da Silva, conhecido como Pastor Eddy de Jesus, foi preso, na manhã desta quarta-feira (16), por policiais da Delegacia do Cabo de Santo Agostinho. O homem, de 41 anos, é suspeito de cometer violência física e psicológica contra nove mulheres e três crianças, além de cárcere privado. O pastor tinha um abrigo, que funcionava sem autorização, para usuários de drogas no município, que pode ser considerado uma espécie de centro de tortura. Até cobras usava nos atos de punição. A prisão preventiva dele em validade de 30 dias e foi concedida pela 2ª Vara Criminal.

 

De acordo com a delegada titular do Cabo, Natasha Dolci, a polícia soube dos casos depois de denúncia feita pela mãe de uma das crianças ao Conselho Tutelar do Cabo, na última segunda-feira (15/1). Os relatos são de que Eddy era violento com as internas, batia nelas com correntes e mangueiras, dentre outras práticas. "Ele tinha um quarto do castigo, para onde as vítimas ia passar até três dias, trancadas no escuro e sem alimentação. Ele também criava duas cobras, que segundo os relatos eram jogadas nesse espaço para amedrontar as mulheres e crianças", explicou Natasha Dolci.

 

As vítimas também apanhavam para comer, sofriam ameaças e passavam a noite em um imóvel trancado com cadeado. Não havia maçaneta, então as vítimas ficavam sem comunicação. Ao chegar ao local onde ocorria essas práticas, denominado Centro Pentecostal Jovem Resgate, a polícia encontrou um ambiente insalubre. "São quatro casas, em um sítio, das quais apenas uma tinha mantimentos e condições adequadas. A que as vítimas estavam não tinha geladeira, fogão, apenas camas e sofá. Uma condição bem inslubre", detalhou a delegada.

 

 

 

 

Um grupo de cinco pessoas que foi encontrado no local chegou a negar a prática de tortura, mas a polícia desconfia que são pessoas trazidas pelo pastor para desmentir os casos. Ele também teria se desfeito das duas cobras que criava nessa terça-feira, segundo testemunhas.

 

Em depoimento, as mulheres que sofreram a violência relataram que uma adolescente teria sido estuprada pelo pastor no passado. Ele mantinha o centro de reabilitação há cerca de quatro anos. Em depoimento, ele negou as acusações. A Polícia Civil de Pernambuco irá investigar as denúncias de estupro, assim como as informações de que ele teria engravidado uma adolescente de 17 anos, que apresentava na casa como filha. "Era uma menina que ele costumava chamar de filha e, de repente, apareceu grávida dele. Não era dependente e, segundo ele, era amiga da família e tudo seria consentido", afirmou Natasha Dolci. Eddy foi encaminhado ao Centro deTriagem (Cotel).

 

No imóvel onde funcionava o centro, foram apreendidos um celular e dois computadores, que serão periciados, pois as vítimas contam que o agressor costumava filmar as torturas. Ele atuaria há pelo menos sete anos na comunidade com dependentes químicos. "Muitas pessoas ficaram com medo de denunciá-lo por causa da influência que ele exercia no local. A própria mãe de uma das crianças acreditava que a filha estava exagerando no relato", acrescentou a delegada. Pelo menos 40 pessoas teriam passado pelo centro em seus quatro anos de funcionamento. 

 

 

 

Justiça

 

Ainda segundo a delegada, Eddy de Jesus dizia ter documentos da justiça estadual, em que autorizava a transferência dos dependentes químicos (adultos e crianças) para a clínica. A polícia recolheu os supostos documentos judiciais e também irá investigar se a justiça estaria autorizando o envio de pessoas para uma clínica sem autorização de funcionamento. Em nota, a assessoria do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) afirmou que encaminha crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade a abrigos cadastrados pela Coordenadoria da Infância e Juventude. E que as duas instituições cadastradas no Cabo são a Instituição Acolhedora Recanto da Criança e a Instituição Acolhedora Recanto do Adolescente. No caso de jovens dependentes químicos, são encaminhados para os Centros de Acolhimento ao Uusário de Drogas (CAUDs). 

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