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“Se meu filho não gritasse, a gente ia morrer”, diz moradora de prédio

Segundo Ana Paula, moradores idosos não conseguiram deixar o prédio. “Tem muito idoso que ficou lá dentro, muito idoso”, lamentou

AGENCIA BRASIL

2 de Maio de 2018 às 10:59

“Se meu filho não gritasse, a gente ia morrer”, diz moradora de prédio

FOTO: (Divulgação)

“Se meu filho não gritasse, a gente ia morrer tudo lá dentro”, disse Ana Paula Arcanjo dos Santos, 46 anos. Ela morava com sete filhos e tomava conta de dois netos no prédio que desabou na madrugada de terça-feira (1º/5) após um incêndio, no Largo do Paissandu, centro da capital paulista. Segundo Ana Paula, as pessoas começaram a descer pelas escadas após seu filho sair avisando os moradores sobre o incêndio.

 

“Nós estávamos dentro de casa, estávamos brincando eu, minha nora e meu filho. Foi na hora que eu e ele escutamos um barulho. Pensamos ser tiro, mas não era tiro. Era o vidro explodindo. Depois explodiu um botijão de gás, foi na hora de correr, e o fogo começar a alastrar”, disse. Os moradores, recordou, desceram as escadas correndo, num cenário de desespero: “Meu filho começou a chutar os barracos para todo mundo acordar.”

 

Segundo Ana Paula, moradores idosos não conseguiram deixar o prédio. “Tem muito idoso que ficou lá dentro, muito idoso”, lamentou.

 

Todos da família passam bem, mas perderam tudo, inclusive documentos. “Eu perdi tudo. Eu saí com a roupa do corpo, nós ganhamos roupa aqui na rua, nós saímos descalços. Meus filhos estão todos ali, com o pé todo preto e descalço. Não sei o que eu vou fazer, os documentos da minha filha também, não peguei nada”, acrescentou.

 

Vidros quebrando

 

O zelador Josimar Lopes de Lima mora com a família no prédio em frente ao que desabou. Ele contou ter acordado por volta das 1h30 de terça com o barulho de vidro quebrando. “Eu acordei assustado e fui para a sala. Quando cheguei à sala, olhei para baixo, no quinto andar, a metade do andar, estava pegando fogo, no prédio da frente. Eu chamei minha esposa, falei para ela ligar para os bombeiros”, destacou.

 

Josimar chegou a pegar uma mangueira de incêndio e jogar água na tentativa de apagar as chamas, mas não aguentou a alta temperatura. Quando percebeu o fogo se espalhando pelos andares do edifício em frente ao seu, ele decidiu sair do prédio em que morava com os filhos e a esposa. Pouco depois, seu prédio também teve focos de incêndio em três andares: sexto, sétimo e décimo.

 

Ana Cristina Macedo, 43 anos, morou durante oito meses no local, em 2016 e 2017. Ela contou que os andares no edifício eram divididos em seis cômodos ou mais por madeiras. Cada um desses cômodos abrigava uma família. “Morei oito meses. há um ano não estou mais lá. Era muita bagunça, os madeirites eram todos bagunçados, era tudo de madeira”. Ela pagava R$ 220 por um dos cômodos.

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